Portfólio para análise de Eder Chiodetto

Olá, Eder! Tudo bem? Meu nome é Melvin Quaresma, tenho 22 anos, sou natural de Belém do Pará. Vi sua postagem no Facebook à procura de fotógrafos para possível indicação, então criei este link com algumas imagens minhas. Separei 9 fotos de três séries: duas séries documentais de longo prazo, que faço desde 2012, e uma sobre a Marujada de Bragança, um evento religioso que acontece no nordeste do Pará. Selecionei estas séries, principalmente, por terem em comum um elemento muito importante para mim: a paixão por documentar a infância. Abaixo estão as seleções que fiz para você.

Um abraço;

Melvin.


SEM TÍTULO / PALAVRAS-CHAVE: INFÂNCIA, CORES, TURISTA, PARÁ, FAMÍLIA, PERTENCIMENTO

Aos 5 anos de idade, saí de Belém do Pará em rumo ao sul do país. Lembro bem de como eu imaginava meu novo lar: uma casa de madeira multicolorida, luzes amareladas à noite, muita gente pra lá e pra cá — bem como era a casa de minha avó materna, onde passei parte da infância. Ali onde chegamos, não encontrei as cores, as luzes eram quase sempre brancas e éramos apenas eu, meu irmão e meus pais.

Nunca mais voltei a morar na terra-natal, mas as cores, luzes e o amor pela gente nunca saíram de mim, do meu sonhar, e, consequentemente, da minha fotografia. Esta série fotográfica, ainda sem título, contempla este espaço em que nasci, cresci e que coloriu meu ser sob aquela amarelada luz incandescente da casa de vovó.  Em cada visita a Belém, assisto meus primos mais novos vivendo a infância no mesmo pátio, encostados sobre as mesmas janelas, correndo pelos mesmos corredores do meu ser criança, e confesso, que, apesar de me sentir sempre pertencente a esse lugar, me sinto também um estrangeiro na própria terra em que cresci.


Marujada de Bragança

Em Bragança, no nordeste do estado do Pará, a Marujada é o principal festejo religioso do ano. A festa teve início em 1798 quando escravos, após grande insistência, conseguiram permissão dos senhores para criar uma irmandade em homenagem a São Benedito, o primeiro santo negro canonizado pela igreja católica. De vestes vermelhas, as "marujas" e "marujos" — como são chamados os fieis — percorrem a cidade no dia 26 de dezembro em procissão pelo santo protetor dos escravos. Acontecem também apresentações de danças de ritmos típicos da região, como o Retumbão e o Xote Bragantino. Os fieis são sempre guiados pelas mulheres, que são maioria. Na liderança, está a "capitoa", mulher mais velha, responsável pela organização e disciplina do grupo.

Em terras lusitanas, pessoas celebravam as descobertas marítimas promovidas pelas grandes expedições e pediam proteção aos marinheiros em alto mar. Assim nasciam as marujadas, festejos típicos que depois se espalharam por diversas cidades brasileiras. Na pequena cidade de Bragança, atualmente com pouco mais de 120 mil habitantes, a festa é uma mistura da tradição portuguesa com aspectos trazidos pelos escravos da região, que deram início ao festejo em devoção a São Benedito. Celebrada no mesmo período do natal, a Marujada de Bragança ganhou o apelido de "Natal dos Pretos" na região.


CIRCENSES

Desde a infância, carrego imensa admiração pelo mundo circense. Meu interesse pelos circos jamais dispersou, e, ao começar a fotografar, a união entre as duas paixões naturalmente aconteceu. Em 2012, iniciei a jornada para conhecer os circos mais profundamente, visitando as trupes não apenas durante as apresentacões, mas também em períodos alternativos, quando a vida acontece aos arredores da lona. E, dessa maneira, meu encantamento de criança transportou-se a uma nova dimensão: descobri que o espetáculo do lado externo da lona é tão encantado quanto o que se vê no picadeiro; que a vida ali fora é estrelada por famílias que carregam o brilho do circo na alma e fazem de cada apresentação um espetáculo único de amor pela arte.