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DIA 5
“Moirões”, plural de “moirão”, refere-se às estacas que dividem a cerca de uma propriedade, algo que aprendi em mais um dia fotografando no estúdio de Ari e conversando sobre a vida, a paixão pelo campo e termos que dizem um pouco sobre cercas e um tanto sobre outras coisas. As imagens desses dias surgem sempre entre longas conversas sobre tantas questões que muito ou pouco importam, dependendo de onde se quer chegar. Sabemos onde queremos chegar, aliás?
ICE
2. EYE
3. GENTILEZA COMO MÉTODO
DIA 4
Ari me perguntou: “Você sabe o que é isso aqui?” Tentei pensar profundo, respondi que parecia um suporte de alguma coisa, talvez de uma cadeira, de uma mesa… sei lá. “É um peso de porta”, ele contou. Poxa, era tão óbvio.
Em seguida, Ari quis saber: “E o que isso te lembra?” Na minha cabeça, a resposta foi imediata: Pac-Man, claro. Mas, com medo de soar bobo ao comparar um objeto tão bonito com o come-come dos videogames, arrisquei sem certeza alguma: “Talvez… o Pac-Man?” Ele riu e respondeu: “Exatamente! É o come-come!” Foi então que relembrei: a simplicidade é mesmo o auge da sofisticação, como alguém já disse por aí (dizem que foi Da Vinci, mas vai saber). Como é complexo pensar simples.
“Uns retratinhos hoje?”, sugeri como quem não quer nada, embora, no fundo, eu sempre queira mesmo uns retratinhos.
Ari respondeu rápido, com certo entusiasmo. E começo a desconfiar que ele até gosta de posar pra mim.
Fico feliz demais, confesso.
DIA 3
Fomos à marcenaria, onde me deparei com o encontro entre sonhos e matéria bruta. Descobri ali que, diferente daquela senhora do famoso causo de Suassuna, a que divide a humanidade entre quem foi ou não à Disney, Ari não separa os homens entre os que conhecem ou não Salvador Dalí.
Depois, concentrei-me em fotografar alguns objetos que também são um pouco de Ari, elementos que compõem esse personagem de quem agora sinto saudades. Aliás, meu objetivo, quando fotografo, é chegar a esse apego que me faz sentir saudades; só assim me parece valer a pena.
DIA 2
Hoje nos conhecemos um pouco melhor, percorri mais dos espaços, fotografei as folhas, frutas e abelhas. E também negociei um pouco do amor do Tom com petiscos. Mas ainda tem chão, Tom não se entrega assim facinho.
Uma hora dessas você ainda me dá um lambeijo, eu acredito, Tom!
DIA 1
No primeiro dia falamos de coisas aparentemente sem peso, como a vida, as luzes e as inspirações, mas também de temas que, pela sua estranheza, ganhavam inesperada gravidade: as marcas do tempo gravadas na tampa de um bueiro e o dia em que um simples acidente num degrau conferiu à escada uma aura de genialidade.
Se o metal resiste? Sério?